Sàngó
Os Sàngós foram homens-deuses intelectuais que
atuaram nas áreas judiciais, criaram Códigos de Leis como uma das alternativas
de organização social, impôs regras, limites e puniu com rigor quem desacatasse
as Leis do reinado de Òyó. O povo precisava de regras para domar e disciplinar o seu ego para que possa trilhar num caminho de luz.
Como personagem histórico, Sàngó teria sido o
terceiro Aláàfìn Òyó, "Soberano de Òyó", filho de Òránmíyàn e
Tòrunsi, a filha de Elénpe, rei dos Tápà (Nupe), aquele que havia firmado uma
aliança com Òránmíyàn (Oranian) – fundador e foi o primeiro rei de Òyó.
Sàngó, no seu aspecto divino era filho do soberano
Òránmíyàn, divinizado, porém, tendo Yemojá como mãe e três divindades como
esposas: Oyá (Yánsàn), Osun e Y'obbá/Obá.
ÌTÀN SÀNGÓ (Mito de Sàngó)
Sàngó, quando viveu aqui na Terra, era um grande
Obá (rei), muito temido e respeitado. Gostava de exibir sua bela figura, pois
era um homem muito vaidoso.
Conquistou, ao longo de sua vida, muitas esposas,
que disputavam um lugar em seu coração.
Além disso, adorava mostrar seus poderes de
feiticeiro, sempre experimentando sua força.
Em certa ocasião, Sàngó estava no alto de uma
montanha, testando seus poderes. Em altos brados, evocava os raios, desafiando
essas forças poderosas. Sua voz soava som de um trovão, provocando um barulho
ensurdecedor. Ninguém conseguia entender o que Sàngó pretendia com essa
atitude. Ele ficou impaciente por não obter resposta.
De repente, o céu se iluminou e os raios começaram
a aparecer. E as pessoas ficaram
impressionadas com a beleza daquele fenômeno, mas, ao mesmo tempo, estavam
apavoradas, pois nunca tinham visto nada parecido. Sàngó, orgulhoso de seu
extremo poder, ficou extasiado com o acontecimento. Não parava de proferir
palavras de ordem, querendo que o espetáculo continuasse. Era realmente algo
impressionante!
Foi, então, que, do alto de sua vaidade, viu a
situação fugir ao seu controle. Tentou voltar atrás, implorando aos céus que os
raios, que cortavam a Terra como poderosas lanças, desaparecessem. Mas era
impossível – a natureza havia sido desafiada, desencadeando forças
incontroláveis!
Sàngó correu para sua aldeia, assustado com a
destruição que provocara. Quando chegou perto do palácio, viu o erro que
cometera.
A destruição era total e, para piorar a situação,
todos os seus descendentes haviam morrido. Ao ver que o rei estava muito
perturbado, seu próprio povo sobrevivente da tragédia de ordem natural tentou consolá-lo com a promessa de reconstruir a
cidade, fazendo tudo voltar ao que era antes. Sàngó, sem dar ouvidos a ninguém,
foi embora da cidade.
Ele não suportou tanta dor e injustiça,
retirando-se para um lugar afastado, para acabar com sua vida. O rei
enforcou-se numa gameleira.
Oyá, quando soube da morte de seu marido, chorou
copiosamente, formando o rio Niger. Ela, que tinha conhecimento do reino dos
Égúns, foi até lá para trazer seu companheiro da morte, que veio envolto em
panos brancos e com o rosto coberto por uma máscara de madeira, pois não podia
ser reconhecido por Ikú, o Senhor da Morte.
Sàngó ressurge dos mortos, tornando-se um Òrìsà brilhante, sábio e justiceiro. Essa variação da essência de Sàngó adotou, além do vermelho, a cor
branca. Também foi venerador dos Espíritos Ancestrais.
O Òrìsà Sàngó e o Òrìsà Àyrá não é qualidade de Sàngó. São Òrìsàs diferentes e de origens diferentes. Àyrá é de origem de Savé - Nigéria, território Jeje que zela pela paz e pela justiça de forma incondicional. É um Òrìsà da Sabedoria, da Justiça e Apaziguador. Seus instrumentos mágicos são: Chave, Machadinha com apenas uma lâmina etc.
Dança mais conhecida de Sàngo: Àlùjá.
Pedra: Granito
e Meteorito.
Metal: Bronze
e Cobre.
Instrumentos
mágicos: Sèrè/Sèkèrè (cabaça de
pescoço de cabo alongado, ou ainda recoberta de couro e detalhes em metal que é
semelhante um chocalho), Osé (machado
de dois gumes feito de madeira Àyán – Gameleira/Figueira).
Cor:
vermelho e branco. As principais cores do Òrìsà Àyrá são: branco, vermelho, azul claro etc.
Oferendas:
Àmàlà (comida votiva de Sàngó feita de pirão de mandioca, refogado de quiabo e
camarão seco). Àyrá come: quiabo, mel, exceto dendê.
Tipo de
ritmo: Àlùjá
Animal
mágico: Leão, Bode e Galo vermelho. Enquanto, que o Òrìsà Àyrá tem como animal totem: Pombo branco, Leão-branco (Panthera leo krugeri), Carneiro branco, Cabrito vermelho malhado de branco, Frango com plumagem vermelho e branco e Peixes de água doce.
Panteão:
Áreas Judiciais Civis, Criminalista, Trabalhista etc.
SAUDAÇÕES:
Káwò ó o Kábiyèsí!!! (Que possamos ver o
rei descer sobre a Terra!!!)
Káwò Kábiyèsí!!! (Venham ver, admirar o rei !!!)
Sàngó dé !!!
Sàngó dé !!! (Sàngó está
chegando!!!)
Káàbò Sàngó. (Seja bem-vindo Sàngó).
Saudação ao Òrìsà Àyrá: Àyrá lé!
Autora: Iney Lúcia (Raina Yashira)


Nenhum comentário:
Postar um comentário