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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Sàngó & Àyrá


  
Sàngó  
Os Sàngós foram homens-deuses intelectuais que atuaram nas áreas judiciais, criaram Códigos de Leis como uma das alternativas de organização social, impôs regras, limites e puniu com rigor quem desacatasse as Leis do reinado de Òyó. O povo precisava de regras para domar e disciplinar o seu ego para que possa trilhar num caminho de luz.
Como personagem histórico, Sàngó teria sido o terceiro Aláàfìn Òyó, "Soberano de Òyó", filho de Òránmíyàn e Tòrunsi, a filha de Elénpe, rei dos Tápà (Nupe), aquele que havia firmado uma aliança com Òránmíyàn (Oranian) – fundador e foi o primeiro rei de Òyó.
Sàngó, no seu aspecto divino era filho do soberano Òránmíyàn, divinizado, porém, tendo Yemojá como mãe e três divindades como esposas: Oyá (Yánsàn), Osun e Y'obbá/Obá.

ÌTÀN SÀNGÓ (Mito de Sàngó)

Sàngó, quando viveu aqui na Terra, era um grande Obá (rei), muito temido e respeitado. Gostava de exibir sua bela figura, pois era um homem muito vaidoso.
Conquistou, ao longo de sua vida, muitas esposas, que disputavam um lugar em seu coração.
Além disso, adorava mostrar seus poderes de feiticeiro, sempre experimentando sua força.
Em certa ocasião, Sàngó estava no alto de uma montanha, testando seus poderes. Em altos brados, evocava os raios, desafiando essas forças poderosas. Sua voz soava som de um trovão, provocando um barulho ensurdecedor. Ninguém conseguia entender o que Sàngó pretendia com essa atitude. Ele ficou impaciente por não obter resposta.
De repente, o céu se iluminou e os raios começaram a aparecer. E as  pessoas ficaram impressionadas com a beleza daquele fenômeno, mas, ao mesmo tempo, estavam apavoradas, pois nunca tinham visto nada parecido. Sàngó, orgulhoso de seu extremo poder, ficou extasiado com o acontecimento. Não parava de proferir palavras de ordem, querendo que o espetáculo continuasse. Era realmente algo impressionante!
Foi, então, que, do alto de sua vaidade, viu a situação fugir ao seu controle. Tentou voltar atrás, implorando aos céus que os raios, que cortavam a Terra como poderosas lanças, desaparecessem. Mas era impossível – a natureza havia sido desafiada, desencadeando forças incontroláveis!
Sàngó correu para sua aldeia, assustado com a destruição que provocara. Quando chegou perto do palácio, viu o erro que cometera.
A destruição era total e, para piorar a situação, todos os seus descendentes haviam morrido. Ao ver que o rei estava muito perturbado, seu próprio povo sobrevivente da tragédia de ordem natural tentou consolá-lo com a promessa de reconstruir a cidade, fazendo tudo voltar ao que era antes. Sàngó, sem dar ouvidos a ninguém, foi embora da cidade.
Ele não suportou tanta dor e injustiça, retirando-se para um lugar afastado, para acabar com sua vida. O rei enforcou-se numa gameleira.
Oyá, quando soube da morte de seu marido, chorou copiosamente, formando o rio Niger. Ela, que tinha conhecimento do reino dos Égúns, foi até lá para trazer seu companheiro da morte, que veio envolto em panos brancos e com o rosto coberto por uma máscara de madeira, pois não podia ser reconhecido por Ikú, o Senhor da Morte.
Sàngó ressurge dos mortos, tornando-se um Òrìsà brilhante, sábio e justiceiro. Essa variação da essência de Sàngó adotou, além do vermelho, a cor branca. Também foi venerador dos Espíritos Ancestrais.
O Òrìsà Sàngó e o Òrìsà Àyrá não é qualidade de Sàngó. São Òrìsàs diferentes e de origens diferentes. Àyrá é de origem de Savé - Nigéria, território Jeje que zela pela paz e pela justiça de forma incondicional. É um Òrìsà da Sabedoria, da Justiça e Apaziguador. Seus instrumentos mágicos são: Chave, Machadinha com apenas uma lâmina etc.

Dança mais conhecida de Sàngo: Àlùjá.

Pedra: Granito e Meteorito.

Metal: Bronze e Cobre.

Instrumentos mágicos: Sèrè/Sèkèrè (cabaça de pescoço de cabo alongado, ou ainda recoberta de couro e detalhes em metal que é semelhante um chocalho), Osé (machado de dois gumes feito de madeira Àyán – Gameleira/Figueira).

Cor: vermelho e branco. As principais cores do Òrìsà Àyrá são: branco, vermelho, azul claro etc.

Oferendas: Àmàlà (comida votiva de Sàngó feita de pirão de mandioca, refogado de quiabo e camarão seco). Àyrá come: quiabo, mel, exceto dendê.

Tipo de ritmo: Àlùjá

Animal mágico: Leão, Bode e Galo vermelho. Enquanto, que o Òrìsà Àyrá tem como animal totem: Pombo branco, Leão-branco (Panthera leo krugeri), Carneiro branco, Cabrito vermelho malhado de branco, Frango com plumagem vermelho e branco e Peixes de água doce.

Panteão: Áreas Judiciais Civis, Criminalista, Trabalhista etc.


SAUDAÇÕES: Káwò ó o Kábiyèsí!!!  (Que possamos ver o rei descer sobre a Terra!!!)


Káwò Kábiyèsí!!! (Venham ver, admirar o rei !!!)


Sàngó dé !!!  Sàngó dé !!!  (Sàngó está chegando!!!)


Káàbò Sàngó. (Seja bem-vindo Sàngó).


Saudação ao Òrìsà Àyrá: Àyrá lé!

Autora: Iney Lúcia (Raina Yashira)

Yemojá Ìyá odò

 
 
 Yemo  é um Òrìsà africano, cujo nome deriva da expressão Yorùbá Yèyé Omo ejá, Mãe cujos filhos são peixes. Os Egbas, que viviam inicialmente em um local no sudoeste da Nigéria, entre Ifé e Ibadan, onde há um rio chamado Yemojá que desagua no Mar.
Para os Yorùbás, a divindade do mar é Olokun, entidade feminina na Nigéria e masculina no Benin, um Òrìsà quase esquecido no Brasil.
Yemojá seria a filha de Olokun, Deus em Benin e deus do mar em Ìfè. Numa das histórias ela aparece casada pela primeira vez com Orunmilá, o Senhor das Adivinhações, depois com Olofin, o Rei de Ifé. Com este último teve dez filhos, cujos nomes enigmáticos parecem corresponder a outros tantos Òrìsàs.
Alguns nigerianos consideram Yemojá como a deusa da pororoca (encontro do rio com o mar) onde os pescadores retiram alimentos e usufruem das águas.
Na Nigéria ela é patrona da sociedade Geledes, sociedade feminina ligada ao culto das Yamis, as feiticeiras noturna.
No Rio de Janeiro, Santos e Porto Alegre, o culto a Yemanjá é muito intenso durante a última noite do ano, quando centenas de milhares de adeptos vão, cerca de meia noite, acender velas ao longo das praias, entregar oferendas e outros presentes no mar. Nesse momento sagrado diversos agradecimentos e pedidos são feitos.
O principal templo de Yemojá está localizado na cidade de Abéòkútá. Os fiéis desta divindade vão todos os anos buscarem a água sagrada  retirada de uma fonte do rio Lakaxa acreditando que tem os Àses da deusa. Essa água é recolhida em jarras, transportada numa procissão seguida por pessoas que carregam esculturas de madeira (ère), tocam tambores e outros instrumentos músicas.
No retorno fazem saudação a Òrìsà Yemojá, as Altezas majestades e outras pessoas ilustres da cidade, começando por Aláké, o soberano do local, Olúbàrà, o rei de Ìbàrìbá, Abore e outros.
Yemojá é a panteã da família, dos pescadores e dos marujos.
O sábado é o dia da semana que lhe é consagrado, juntamente com outras divindades femininas das águas. Seus adeptos usam colares de contas de vidro transparentes e vestem-se, de preferência, de azul-claro.
Na Suméria Enki era o deus dos Oceanos e mares. Ele era um deus da fartura, da transformação e guardião das Sabedorias Ocultas. Enki sabia que a água podia trazer aos mortos vida e renascimento. Seu animal totem era a serpente e o peixe. Símbolo sagrado era a Lua e a sua cor era Azul e prata.
Deus Enki tornou panteão dos pescadores e da família. Ao fazer analogia entre o legado do povo africano e o povo da Suméria iremos observar que as suas histórias são bastantes semelhantes.
Portanto, deus Enki provavelmente é  a deusa Yemojá cultuada pelo povo da nação Yorùbá, cultuada no Brasil e em outros países. Yemojá aparece com várias facetas, mas é uma Divindade Uno.

Saudação: Ekúàbò Ìyá Odò! (Que seja bem-vindo mãe dos rios!)
 
 

 
 
Autora: Rainna Tammy
 
 
 
Fonte de Pesquisa:
 

 


quinta-feira, 1 de maio de 2014

Ògún, marco da evolução metálica



Ògún da terra dos deuses Yorùbá (Ilè Ifè), filho de Odùduwà e de Ìyá Olóòkun tornou símbolo da Idade dos Metais, criador das ferramentas para defesa pessoal, para caçar e para a agricultura. A descoberta do Metal foi fundamental para a criação de novos instrumentos com durabilidade bem maior. O ferro e o cobre ao passar por uma fundição de alta temperatura entre 1530ºC e 2450ºC tornavam-se maleável e ganhava uma nova cara ao ser transformado e polido.


O minério de ferro tirado da própria natureza era transformado em diversos instrumentos metálicos. A necessidade do momento contribuía para a evolução do homem que era obrigado a criar, a fim de facilita a vida no dia a dia. Essas invenções foram importantes para agricultura da época e para os nossos dias. É claro que os armamentos, as ferramentas e os utensílios se aperfeiçoaram. 
Segundo a mitologia africana, Tóbi Ode era um grande caçador que mais tarde por seu ato de bravura e invenções recebeu o título de Ògùn-Ode.


Como gostava muito de lutar e caçar, um dia foi para o alto de uma Òkè (montanha), onde havia pedreira e uma vasta floresta ficando-o por muito tempo.
A vida na floresta, o isolamento e a convivência com os animais tornaram-no um homem com personalidade difícil, intolerável, guerreiro. Esse momento que estivera na floresta cercado de animais ferozes e outros perigos pode refletir e valorizar a vida em grupo. Ele retornou disposto a defender a sua espécie, o seu povo e a sua família. Preparado para enfrentar qualquer desafio e derrotar os inimigos desceu a montanha vestido de fogo e foi para Ìré , Estado de Ondo. Lá foi muito bem recebido, deram-lhe comida e bebida. A cidade estava em guerra e Ògún conseguiu livrá-la dos inimigos. Por esse motivo foi aclamado como Oníré - dono da cidade de Ìré, nome até hoje usado como qualidade de Ògún, tanto na Nigéria quanto no Brasil.

Ògún Osinmalè 
  
Conta à história que há muito tempo, quando os Òrìsàs desceram para a Terra, encontraram no meio do caminho uma mata cerrada que não dava para ninguém passar. Òrìsànlá, que vinha à frente, adiantou-se para abrir caminho, mas sua faca de prata, que era muito frágil, quebrou-se.
Ògún, com sua faca de ferro que corta tudo, conseguiu abrir trilho na mata para todos passarem. Por esse motivo, quando desceram a Terra, Ògún foi reconhecido pelo seu povo e recebeu em Ilè Ifè os títulos de Omo Ìlú (pessoa importante da cidade), e Osinmalè - importante entre os Òrìsàs.



Ògún preferiu receber uma coroa de ferro como seu símbolo de grandeza e nobreza. A Àkòró simboliza a aliança de Ògún com o seu povo. Por causa dessa aliança ficou conhecido como Òrìsà Ògún Ifè Àkòró.
A festa de Ògún na Nigéria é realizada uma vez por ano, e dura sete dias. Os preparativos começam em julho e a festa é realizada em agosto. Vale dizer que Ògún em Yorùbá quer dizer agosto.


Ògún é um Òrìsà guerreiro, corajoso e que comandou, treinou uma tribinagem para qualquer batalha tanto espiritual quanto no plano físico.
Na África o culto a divindade Ògún é restrito aos homens, e existiam templos em Ilésà (Ìjèsà), Ìgbó, Ondo, Ekìtì, Ìré e Òyó.
Portanto, o uso dos metais na vida cotidiana desses povos teve grande importância para a consolidação e principalmente na destruição de grandes civilizações na pré-história e no mundo antigo, sendo de grande utilidade para a subsistência, no caso a agricultura, e também na imposição de poder.
Graça as descobertas e invenções do passado podem usufruir do metal de forma modernizada no nosso dia a dia. 

Pàtàkòrí Ògún!

Pàtàkí Òrìsà Ògún!



Autora: Iney Lúcia


Fonte de Pesquisa:


Cafundó - Filme completo  http://youtu.be/xyDWSSzvsjs


Dança tradicional de Ògùn - Benin - Nigéria http://youtu.be/YB7lztYu6so


DAHOUI, Albert Paul. O Cajado do camaleão. 1 ed. - Rio de Janeiro: Corifeu, 2006.


PROJETO ARARIBÁ: história/obra coletiva, concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editora responsável Maria Raquel Apolinária Melani. - São Paulo: Moderna, 2006.


VERGER, Pierre Fantumbi. Notas sobre o culto aos Orixas e Voduns na Bahia de todos os Santos, Brasil, e na Antiga Costa dos Escravos, na África. – [Tradução: Carlos Eugênio Marcondes de Moura]. 2 ed. – São Paulo: Editora Universidade de São Paulo, 2000.