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domingo, 3 de abril de 2016

Cerimônia matrimonial - Guiné-Bissau



Cada povo tem a tem a sua cultura e a sua tradição. O absurdo para algum povo, mas outros é algo sagrado que deve permanecer vivo na memoria do seu povo.
No Guiné-bissau um casamento da etenia Papel/Papeles¹ tem que haver os ritos ritualistico indígena (africano animalismo) para que o casal seja feliz e receba as benções dos deuses e dos seus antepassados.
O casamento entre dois jovens Papéis não nasce da vontade dos cônjuges. Na verdade, é um acordo de união firmado entre duas famílias que se concretiza com o casamento entre seus filhos. Esse acordo, por sua vez, é realizado com o intuito de garantir a continuidade da etnia Papel. A preservação da tradição é encarada como um ato de respeito aos antepassados, uma continuidade étnica e uma afirmação da existência do próprio grupo e de seus valores.
De acordo com Moreira (1994), a etnia Papel segue um esquema matrilinear, isto é, a pertença ao clã é herdada da mãe. No entanto, as lideranças são feitas pelos indivíduos do sexo masculino, assim, o indivíduo é incorporado ao clã do tio materno. A hierarquia funciona por senioridade e a figura máxima é o régulo (ou rei), cujo clã Batcha-su é o único dos sete que pode dar origem ao que ocupa essa posição. O aglomerado de casas, que se dá por afinidade de parentesco, se denomina "morança": "é geralmente composto por um patriarca - 'chefe da morança' - suas mulheres e filhos solteiros e casados, podendo agregar três a quatro gerações" (Moreira, 1994, p. 177).
A noiva tem que passar pelo ritual de dependencia das madrinhas até para alimentar, o futuro marido não pode ver a noiva nesse período de purificação, unção com óleo de dendê no corpo para que ela seja uma grande reprodutora e manter a sua jovialidade
Após o cabelo ser cortado por todas as irmãs, a cabeça deve ficar com turbante como símbolo de humildade e submissão ao marido. A mulher deverá dormir durante doze noites numa esteira com o corpo ungido com oléo de palma e ser alimentada pela acompanhante. No decorrer da cerimônia é sacrificado um cão para fortalecer a união do casal e também recebe da matriarca uma garrafa de cachaça com dizeres magícos poderosos.

A cerimônia matrimonial dura mais de uma semana e a comunidade permanece unida com a sua ajuda vontutária a família do casal. A final é festa...
O casamento é um dos mais importantes e valorizados. Fruto direto de uma cultura oral, essa cerimônia possui mais legitimidade entre seu povo do que os casamentos realizados em cartórios e firmados por contratos assinados.
O casamento cristão é monogâmico, mas raramente os homens obedecem tal Lei do cristianismo.
Na cultura islâmica a mulher tem que ser descente, isto é fiel, submissa, obediente e pura. Enquanto que o homem deve ser sério, vaidoso e poderoso. Ter bens, mulheres e muitos filhos. O casamento forçado é considerado uma prática cultural usada pela maioria de  grupos  étnicos  na  Guiné-Bissau. O pai escolhe um homem e oferece para casar com a filha. Mesmo que tiver outra mulher não pode recusar a negociação. A jovem deve casar com idade entre 13 anos de idade - 16 anos de idade. 


O casamento precose e arranjado pelo pai. A filha não deve estudar, mas sim preparada para cuidar do marido e educar os filhos. Caso a moça recusar tal casamento ela é espancada até a morte por desobediência e derespeito a autoridade do marido

O homem nunca pode abandonar a sua mulher, exceto suspeitar de adultério, mas pode ter outros relacionamento extra-conjugal, as concumbinas podem ter filhos, mas nunca pode ter ciúme e nem envolver com outro homem. Caso desobedecer as regras do namorado ou do marido é punida com violência física, psicológica, moral e sexual.
A família numerosa procura viver em harmonia segundo a regras religiosa e da sociedade.
Algumas mudanças nas Leis Constitucionais do país foram criadas, outras receberam emendas, mas o povo conservador islâmico persiste para manter viva a tradição milienar do Patriarcalismo radical.
Economicamente a Guiné-Bissau é classificada como um dos países mais pobres do mundo, com grande índice de violência contra as mulheres e estimula que cerca de 49% das mulheres entre a idade de 13 - 49 anos de idade tem a genital mutilada (circuncisadas), tradição religiosa islâmica.

 
O medo, o pavor que as meninas enfrentam no seu dia a dia é lamentável. Muitas famílias fugiram para os arquipélagos Bijagós (Nago, Formosa e Chediã) e Irok Oshenil de Guiné-Bissau. Criaram uma nova forma de viver, sendo livre. A liderança feminina foi uma das formas de dizer não a violência aos homens e não a religião islâmica conservadora. 
A cultura nato procura estar de bem com a Mãe-natureza, com os deuses e com os seus ancestrais. O resgate à tradição matrilinear trouxe de volta a alegria, a felicidade e a paz às mulheres.

Autora: Iney Lúcia (Raina Yashira)
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1- Clã Matrileniar.
Cultura islâmica tradicional, trauma e dor: https://youtu.be/bEgKfb8LvNA


Disponível em <http://www.noticiaslusofonas.com>Acesso em 24 de agosto de 2011.
GUINÉ-BISSAU,

Relatório sobre a situação dos Direitos Humanos  na  Guiné-Bissau, 2010-2012 31.
Disponível em http://www.lgdh.org/p/relatorios. 2010-2012.31 Acesso em 20 de março de 2015.  

Concerto de Guiné-bissau:


 


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