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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Ser Bruxo (a)


Ser bruxo é um compromisso ancestral hereditário. Ninguém torna bruxo por achar bonito e encantador. Desde o momento da sua fecundação já é escolhida e no decorrer do seu desenvolvimento físico e espiritual ocorrerá o Despertar do mundo interior.
Os conhecimentos místicos-esotéricos que estavam guardados no seu arquivo cerebral desabrocham e as revelações irão acontecendo no seu dia a dia. É algo que mesmo que tenta evitar, mas uma força maior diz que tudo é natural e devemos continuar aquilo que provavelmente ficou incompleto.
Ser bruxo é honrar e evocar os deuses e os nossos ancestrais, ser bruxo é preservar o ecossistema, invocar as energias dos elementares, crê na vida após a morte do corpo físico, ser tolerante, grato, alegre e ser livre para poder voar no mundo do pensamento. Ser bruxo é reconhecer que a disciplina é importante para a sua evolução, ser onipresente, ser onisciente, saber ouvir e orientar para o caminho da Luz.


Os bruxos estão presentes em todas as religiões trabalhando com o misticismo. Eles conhecem o mundo espiritual porque estão interligados. São intuitivos, recebem diversas revelações, falam em idiomas diferentes, curam as enfermidades, interpretam sonhos, conseguem conectar com mundo de outras dimensões e sabem interpretar lâminas ou livros sagrados.
Os bruxos estão sempre num cargo de destaque nas instituições religiosas e nos campos profissionais. Eles são reconhecidos pela sua essência, pelo seu poder e pela sua sabedoria multifocais. As religiões cristãs titulam de santo por causa da sua sabedoria e pureza. Também recebem revelações das dimensões Cósmicas e fazem profetização. Alguns acreditam que são virtudes Divinas, instrumentos do Espírito Santo, enquanto que outros os chamam de Buda ou de Mestre de Luz. Não importam como chamam, mas estão presentes. 
Quando a Igreja Católica estava no comando do mundo titulou de Bruxo todos aqueles que tinham uma crença baseado no Ancestral Místico, que não aceitava o Monoteísmo de um deus cruel, autoritário, totalitário, não concordavam com a filosofia e a doutrina da igreja cristã. Por não acatar as ideias cristãs foram considerados hereges, bruxos, feiticeiros, pagãos, satã manifestado e demônios. Essas pessoas foram perseguidas, presas, coagidos pelos cristãos e tiveram que confessar publicamente que eram Bruxos.
Tiveram suas casas queimadas, as gestantes, as crianças e os idosos foram punidos e mortos cruelmente. Foram enforcados, apedrejados até a morte e outros queimados vivos.
Um Bruxo representava perigo para a política e para as religiões cristãs porque eram revolucionários. Continuar a cultura dos Ancestrais foi um grande desafio na época e ainda continua, mas a união da Religião Antiga ganha força para divulga-la e poder praticar suas magias de forma livre.


No passado o suposto Bruxo tinha que viver e praticar seus ritos e rituais de forma solitária, mas ser Bruxo solitário não é uma forma segura porque o mundo espiritual é perigoso e ainda esconde grande mistério. Muitos que tentaram penetrar no Mundo dos Espíritos sem um conhecimento profundo acabaram passando mal, adquirindo doenças misteriosas e outros perderam tudo que conquistou.
O Bruxo Solitário está sujeito a passar por diversos desafios e se torna vulnerável. Se o Bruxo for sensível está sujeito a captar diversas energias negativas e se não saber lidar com essa energia poderá trazer mal-estar, desiquilíbrio emocional, desgaste de energia e outra complicação no seu dia a dia. Se mexer com pessoas são difíceis,pois o Mundo Espiritual é mais difícil porque muitos não conseguem ver. O Bruxo Solitário é uma presa fácil de ser devorado por um lobo porque sozinho não terá ninguém para socorrê-lo e salvá-lo.
A Fonte Criadora foi perfeita na sua criação, pois os seres da mesma espécie sempre mantiveram juntos. Nossos Antepassados também viviam em bando. Jesus quando iniciou a sua pregação sempre ia acompanhado dos seus discípulos e até mesmo numa oração é bom que esteja em grupo. Todos os seres vivos no momento da fecundação dependem um dos outros para sobreviver. O embrião depende das energias vitais da sua mãe por isso que há o cordão umbilical interligando.
Nunca é bom que esteja sozinho, pois os grandes sábios sempre mantiveram junto com outros sábios. Uma vara é fácil de ser quebrado mais quando há várias varas  juntas mesmo sendo finas não se quebrarão com facilidade.


O Bruxo deve estudar bastante, fazer parte de algum grupo, fazer treinamento mental e participar de encontro a fim de fortalecer o seu lado espiritual. Todos nós temos os poderes mágicos, mas temos que ter cautela em nossos feitiços e responsabilizar pelos atos. 
Você pode preparar o seu céu ou seu inferno. Cada pessoa responde as consequências segundo as suas ações.



Autora: Iney Lúcia (Raina Yashira)

sábado, 9 de agosto de 2014

Èjìré, alegria do Ilé ìbo



 
Èjìré/Ìbejì é divinação dos gêmeos em terras Yorùbás. Quando tem filho gêmeo recebe o nome de Táyéwò/Táíwò e  Kẹ́yìndé/Kẹ́hìndé.

Os povos Yorùbás acreditam que Táyéwò/Táíwò para o primeiro dos gêmeos a nascer, que literalmente quer dizer “Vai experimentar a Vida”, é considerado o espírito mais novo, que chega primeiro a Terra, para abrir caminho para seu irmão mais velho, que nasce como a caçula dos gêmeos e Kẹ́yìndé/Kẹ́hìndé para o segundo dos gêmeos ao nascer, que literalmente quer dizer “O ultimo a chegar”, considerado o espírito mais velho. A criança que nasce após os gêmeos é chamada de Ìdòwú, aquele que veio trazer equilíbrio aos gêmeos.

Onde predomina o patriarcalismo, a divindade gêmea é do sexo masculino, onde a região é feminista o gêmeo é do sexo feminino e casal de gêmeo quando o povo dualista.

Èjìré/Ìbejì é uma Divindade que rege o nascimento duplo, mas não é uma divindade primordial, não são espíritos infantis que podem ser incorporado por um mediador. Não é um Òrìsà que entra em transe, não possui filhos (Omọrìṣà) e nem é “raspado” na cabeça de ninguém, ou seja, não há Igbẹ̀rẹ̀ (iniciação) em Èjìré/Ìbejì. Eles são seres espirituais que vivem tanto na Dimensão Espiritual quanto na Terra em uma sociedade.
Nos primórdios da Terra, também se reuniam em sociedades, assim como as Ìyámi Ẹlẹ́yẹ (feiticeiras), os Àbíkú (espíritos natimortos) e outras sociedades nigerianas...
Provavelmente, a origem do culto Èjìré/Ìbejì, seja em Ìṣokùn, cidade que hoje próxima à cidade de Ọ̀yọ́ – Estado de Ọ̀yọ́ na Nàìjíríà (Nigéria). Foi nesta cidade, que Èjìré/Ìbejì veio a Terra (Àiyé) pela primeira vez, uns dizem que foi através da mulher de um fazendeiro de Ìṣokùn, outros dizem que foi através da mulher de um Rei de Ìṣokùn.

Os povos Yorùbás acreditam que cada pessoa que nasce na Terra, deixa um duplo no Céu – Ẹnikéjì, que fica na espera daquele que veio a Terra (Àiyé) voltar.
A superstição sobre nascimento duplo predominou por muitos anos como algo considerado maldito. Por esse motivo, os gêmeos passaram a serem sacrificados, inicialmente os dois, depois apenas um, com a crença de que mandariam de volta para o Ọ̀run (Céu) aquele que veio pra Àiyé (Terra), mas deveria ter ficado por lá. Mas o número de nascimento duplo crescia e as crianças sacrificadas aumentavam dia a dia. As famílias ficaram preocupadas com tais mistérios e recorreram ao oráculo de Ifá.
Conta um Ìtàn (História Sagrada do Corpus Oral de Ifá), que na época em que os Èjìré/Ìbejì (gêmeos) eram sacrificados, em Ìṣokùn.
Um casal dá a luz a gêmeos, mas por amarem muito suas crianças e não desejarem sacrificá-las, então buscaram Ifá (o oráculo sagrado) para darem um melhor caminho aos seus filhos, que não fosse à morte.
O Sábio Ọ̀rúnmìlà, Divindade que é a Testemunha de todos os Destinos, declara que não deveriam sacrificar nenhum Èjìré/Ìbejì que viesse a nascer neste Mundo, declarando então, que o duplo nascimento, ou seja, o nascimento de gêmeos, não deveria ser um motivo de tristeza e de má sorte, pelo contrário, deveria ser um orgulho, uma honra, uma enorme alegria para os pais dos gêmeos e para seus familiares.
A vinda de gêmeos significa muita sorte para o âmbito familiar. E determinou que os pais dos gêmeos deveriam festejar os nascimentos duplo, tratá-los com muito amor, carinho, mimos. Ao cruzasse com os Èjìré/Ìbejì (gêmeos) deveriam presentear-lhes. E assim nasce o CULTO A ÌBEJÌ/ÈJÌRẸ́/ẸDÚNJỌBÍ (Gêmeos), em terras Yorùbás.
Caso um dos gêmeos venha a falecer, a mãe deve ir ao mercado artesanal de um gêmeo e comprar uma estatueta – Ère Ìbejì e levá-lo para sua casa para que seja venerado e amado.
Ter filhos gêmeos é algo tão maravilhoso para os Yorùbás, que eles utilizam-se da expressão Èjìrẹ́ Ọ̀kín, referindo-se que a beleza de possuir gêmeos é tão qual a de um Pavão (Ọ̀kín).


O culto a Ìbejì é realizado através de pactos (imulẹ̀) com Èṣù (Ìdòwú) e com a Ẹgbẹ́ Ọ̀run Ìbejì (a Comunidade Espiritual dos Gêmeos), montamos Ojúbọ (altar) aos mesmos, com representações feitas através de estatuetas de madeira e outros símbolos.
Graça o sábio Ọ̀rúnmìlà as vidas dos Èjìrés foram ceifadas e abençoadas com Àse. Eles simbolizam a Força Vital, a dádiva encantadora de uma família.



No Brasil, o gêmeo homenageado é Cosme e Damião. Eles são santos panteões das crianças. As religiões Afro-brasileiras homenageiam as criançadas no dia 27 de setembro e outros homenageai-as no dia 12 de outubro.


Segundo a mitologia, os gêmeos Cosme e Damião eram filhos de uma nobre família cristã que nasceram por volta do ano 260 d.C., na região da Arábia e viveram na Ásia Menor, no Oriente. 
Desde muito jovens, ambos manifestaram um enorme talento para a medicina, profissão a qual se dedicaram após estudarem e diplomarem-se na Síria.
Tornaram-se profissionais muito competentes, dignos, e foram trabalhar como médicos e missionários na Egeia - Síria como um dos voluntários, salvando centenas de vidas de crianças. Sua atitude generosa atraiu admiradores no mundo europeu e no Brasil.
A religião africanizada por não ser cristão não homenageia Cosme e Damião como uma divindade, e sim como uma pessoa gêmea que merecem respeito e gratidão pelo trabalho social prestado. 
Nos cultos afro-brasileiros colocam frutas, guloseimas e brinquedos sob suas estatuetas para invocar a benevolência de Ìbejì como criança. A incorporação de espíritos infantis desperta a criança interior que existe.



Táyéwò é saudado com a expressão: Táyé Lólú Èjìrẹ́.

Animal-totem: macaco.

Autora: Iney Lúcia (Raina Yashira)

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Fonte de Pesquisa:


Fotos da internet: autores desconhecidos



sábado, 2 de agosto de 2014

Bruxas Encantadoras


 

 
Por traz de uma beleza sempre há mistérios. Todas bruxas são encantadoras, sedutoras e amáveis. A sabedoria nata a conduz para um caminho holístico. Sua inteligência multifocal conduz a liberdade plena. Ela pode voar na sua vassoura mágica e pode estar em todos os lugares espalhando a sua essência mágica.
Na super Lua Cheia a reunião das bruxas acontece, o grande círculo é aberto para realização de sortilégios. O elo com a Grande Mãe-terra e a Lua fazem parte da sua invocação pra transmutar o que desejam. As mulheres comandam tudo o que é sagrado e seus inimigos furiosos rendam e ajoelham em seus pés reconhecendo a sua superioridade.
A energia do bem sempre predomina e vence. Cada conquista vitoriosa é honrada com poesia, oferenda de gratidão e festa. Cada bruxa carrega consigo o símbolo do poder e da força. Elas morrem e renascem com as energias da sabedoria avançada e inovadora. As bruxas são como as luzes radiantes que brilham como o Sol do meio dia.
O Universo e os mundos paralelos conspiram sempre a seu favor com agilidade.
 
Autora: Iney Lúcia (Raina Yashira)

Foto da internet: autores desconhecidos